Abre o LinkedIn agora. Pode ir, eu espero.
Contou quantos “especialistas em IA” apareceram no feed? Quantos posts de “5 ferramentas de IA que vão mudar sua vida”? Quantos caras com foto profissional e cargo de “AI Strategist” que semana passada eram estagiarios de marketing?
Pois é. Eu cansei.
E se você também tá nessa sensação de que precisa saber tudo, usar tudo, dominar tudo que aparece com “AI” no nome… respira fundo. Porque hoje eu vou te dar permissão pra fazer algo radical:
Ignorar 90% disso.
A epidemia do “especialista em IA” brasileiro
Tem uma coisa muito nossa, muito brasileira, que tá acontecendo. A gente pega uma trend gringa e amplifica num nível absurdo. Os americanos inventam o hype, e a gente transforma num carnaval.
Olha o que rolou: o ChatGPT estourou no final de 2022. Em 2023, o Brasil virou o terceiro maior mercado de IA do planeta. Até aí, massa. O problema é que junto veio uma onda de gente vendendo curso de prompt engineering por R$2.000, criando “mentorias de IA” sem nunca ter automatizado um processo sequer, e colocando “Inteligencia Artificial” em tudo que é bio de LinkedIn.
Sabe aquele vizinho que comprou um drone e agora se apresenta como “piloto”? Mesma energia.
E o efeito colateral disso tudo é pesado: FOMO. Medo de ficar pra tras. Aquela ansiedade de que todo mundo ta evoluindo e voce ta parado.
Só que a verdade – e essa é a parte que ninguem fala porque não vende curso – é que a maioria dessas pessoas tambem ta perdida. Elas so são melhores em parecer que não estão.
O paradoxo da produtividade: quanto mais ferramentas, menos você produz
Vou te contar o que aconteceu comigo.
No começo de 2025, eu tava assinando ChatGPT Plus, Claude Pro, Gemini Advanced, Perplexity Pro e mais umas três ferramentas menores. Eram quase R$600 por mês. Em dolar. Na fatura do cartão. Com IOF.
Resultado? Eu passava mais tempo testando ferramentas do que trabalhando. Tipo, literalmente. Recebia uma tarefa e ao inves de fazer, ficava pensando: “Será que o Claude resolve melhor que o ChatGPT? Ou uso o Gemini? Deixa eu testar nos tres…”
Uma hora depois, eu tinha tres respostas medianas e zero trabalho feito.
Isso tem nome, alias. Chama “tool paralysis” – paralisia de ferramentas. E é o contrario exato de produtividade.
A pesquisa do Gartner de 2025 jogou um numero na mesa que me fez repensar tudo: 47% dos funcionarios que usam IA dizem que não sabem como atingir os ganhos de produtividade que a empresa espera. Quase metade. E essas são pessoas que já estão usando. Imagina quem ta tentando aprender 12 ferramentas ao mesmo tempo.
O jeitinho brasileiro aplicado à IA
Beleza, e qual é a saida?
Aqui entra algo que so brasileiro entende: o jeitinho. Não o jeitinho de dar golpe, não. O jeitinho de encontrar o caminho mais inteligente, mais pratico, mais seu.
A mentalidade Silicon Valley é: “Domine TUDO. Otimize TUDO. Automatize TUDO.” É aquela frieza de planilha, sabe? Eficiencia acima de tudo.
A mentalidade brasileira é diferente. A gente é pratico. A gente quer saber: “Isso aqui resolve meu problema? Resolve. Então pronto, bora.”
E adivinha qual abordagem funciona melhor com IA?
A nossa.
Porque a real é que IA não é um fim, é um meio. Você não precisa ser especialista em IA. Você precisa ser especialista no que você já faz – e usar IA pra fazer melhor.
O melhor advogado usando IA não é o que sabe tudo sobre GPT-4. É o que sabe tudo sobre direito e usa IA pra pesquisar jurisprudência mais rapido.
A melhor designer usando IA não é a que domina Midjourney, DALL-E e Stable Diffusion. É a que tem senso estetico foda e usa UMA ferramenta pra acelerar o processo.
As 3 unicas coisas que importam (de verdade)
Depois de dois anos testando, errando, gastando dinheiro e quebrando a cabeça, cheguei numa conclusão bem simples:
1. Uma ferramenta de texto, dominada de verdade
Escolhe UMA. ChatGPT, Claude, Gemini – tanto faz. O que importa é conhecer ela a fundo. Saber os limites. Saber quando ela mente. Saber como pedir pra ela entregar o que voce precisa.
Eu uso Claude pro dia a dia. Não porque é “o melhor” (depende da tarefa), mas porque eu conheço os padroes de resposta, sei quando ta inventando, sei qual tom de voz funciona. Essa intimidade com a ferramenta vale mais do que superficialidade com dez.
Se voce quer um ponto de partida solido, o skill 10x Seus Prompts te ensina a estruturar conversas com qualquer IA de um jeito que realmente funciona. Copia, testa e depois me conta.
2. Um workflow que resolve SEU problema
Para de copiar workflow dos outros. Serio.
O cara do YouTube que automatizou “toda a empresa” com n8n e 47 integrações? Legal pra ele. Mas o problema dele não é o seu.
O que funciona é simples: identifica uma tarefa que voce faz toda semana, que te dá preguiça, e testa resolver com IA. Uma. Só uma. Se funcionar, otimiza. Se não funcionar, tenta outra abordagem.
Quer um exemplo real? Eu tava perdendo 2 horas por semana respondendo emails longos de clientes. Peguei um template de email profissional, adaptei pro meu estilo, e agora gasto 30 minutos. Não automatizei tudo. Não criei um sistema maluco. Só resolvi UM problema.
3. Capacidade de avaliar resultado (e falar “isso ta ruim”)
Essa é a mais importante e a que ninguem ensina.
A maioria das pessoas aceita qualquer coisa que a IA cospe. Se o ChatGPT escreveu, “ah, deve tar bom”. Não. Muitas vezes ta uma porcaria. Generico, raso, cheio de cliche.
A habilidade mais valiosa de 2026 não é saber usar IA. É saber olhar pro resultado e dizer: “Isso aqui ta mediocre. Refaz.” E saber explicar POR QUE ta mediocre.
Quer treinar isso? Começa usando o Coach de Debugging de Prompts pra entender onde seus prompts falham. Depois passa pro Destruidor de Cold Email – não pelo email em si, mas pra aprender como uma IA boa consegue transformar texto generico em algo com personalidade.
Ta tudo bem ignorar 90% do barulho
Agora a parte que voce precisava ouvir.
Saiu ferramenta nova de IA? Não precisa testar. Alguem postou no LinkedIn que “quem não usar X vai ficar pra tras”? Mentira. Aquele influencer disse que voce precisa de mais um curso? Não precisa.
Sabe o que vai acontecer se voce ignorar as proximas 50 ferramentas de IA que lançarem? Nada. Absolutamente nada de ruim. Voce vai continuar trabalhando, produzindo, vivendo.
Agora sabe o que acontece se voce tentar acompanhar tudo? Voce vira aquele cara que sabe um pouquinho de 30 ferramentas e não domina nenhuma. O famoso “sabe de tudo e não sabe de nada.”
O mercado brasileiro em 2026 não precisa de mais gente que “sabe usar IA”. Precisa de gente que resolve problema. E resolver problema é sobre profundidade, não amplitude.
O plot twist: dominar menos = vantagem competitiva real
Parece contra-intuitivo, mas pensa comigo.
Se todo mundo ta espalhado tentando aprender Claude, ChatGPT, Gemini, Copilot, Perplexity, Mistral, Llama, e mais o que aparecer… e voce ta la, focado, dominando UMA ferramenta e aplicando ela no seu trabalho de verdade…
Quem voce acha que entrega resultado melhor?
É tipo aquele restaurante que so faz uma coisa. Coxinha. Só coxinha. Mas a melhor coxinha da cidade. O cara do lado tem 47 itens no cardapio e nenhum presta.
Na carreira funciona igual. A pessoa que domina Claude pra escrever textos de marketing vai sempre entregar mais do que a que “usa IA” genericamente. A que automatizou UM processo do trabalho com o ChatGPT vai ter mais resultado do que a que fez 15 cursos de “fundamentos de IA generativa”.
Profundidade vence amplitude. Sempre.
O que fazer agora (pratico, sem enrolação)
Se voce leu até aqui e ta pensando “beleza, mas por onde começo?”, aqui vai:
Semana 1: Escolhe UMA ferramenta. ChatGPT, Claude ou Gemini. A que voce ja usa mais. Cancela o resto se tiver assinatura (a gente ate escreveu um guia sobre cancelar assinaturas desnecessarias se precisar de motivação).
Semana 2: Identifica UMA tarefa chata do seu trabalho. Uma so. E testa resolver com IA. Se precisar de inspiração, dá uma olhada no Guia do Preguiçoso pra IA – tem prompts prontos pra copiar e colar.
Semana 3: Avalia. Funcionou? Otimiza. Não funcionou? Tenta outra tarefa. Sem drama.
Semana 4: Ignora todo o resto. Serio. Silencia os “gurus de IA” no LinkedIn. Para de assistir video de “top 10 ferramentas”. Foca no que ta funcionando pra voce.
E pronto. Sem curso de R$2.000. Sem mentoria. Sem certificação em “IA generativa avançada”. Só voce, uma ferramenta, e um problema real pra resolver.
A arte, na real, é essa
Quando o Mark Manson escreveu sobre a sutil arte de ligar o foda-se, o ponto central era: voce não pode se importar com tudo. Voce tem uma quantidade limitada de energia e atenção, e se gastar com besteira, não sobra nada pro que importa.
Com IA é a mesma coisa.
Voce tem uma quantidade limitada de horas no dia. Se gastar testando ferramenta nova, fazendo curso, lendo newsletter de IA, comparando modelos… não sobra tempo pra usar IA de verdade. Pro trabalho. Pro que paga suas contas.
O jeitinho brasileiro aqui é simples: menos é mais. Encontra o SEU caminho. Ignora o barulho. E quando alguem no LinkedIn postar “7 ferramentas de IA que voce PRECISA conhecer em 2026”, voce respira fundo, sorri, e vai tomar seu cafe.
Porque voce já sabe que não precisa de sete. Precisa de uma. E ela ja ta funcionando.
Quer começar com skills prontos que funcionam de primeira? Da uma olhada na nossa coleção de skills de produtividade – copia, cola e resolve. Sem curso, sem cadastro, sem frescura.