O hype da IA acabou. Ótimo.

O hype da IA tá esfriando e isso é bom. Saímos da fase de experimentos malucos pra era de resultados reais. Quem focou no básico tá ganhando.

Fala, galera.

Vou ser direto aqui: o hype da IA acabou. E sabe o que eu tenho pra dizer sobre isso?

Ótimo.

Tipo, finalmente. Depois de dois anos ouvindo que “IA vai substituir todo mundo”, que “quem não usar vai ficar pra trás”, que “essa ferramenta X vai revolucionar tudo”… a gente pode respirar, né?

O Brasil no meio dessa loucura

Olha, o Brasil não ficou de fora da festa. A gente é o 3º maior usuário de ChatGPT no mundo — 140 milhões de mensagens por dia. Cento e quarenta milhões. Por dia. Isso é absurdo.

E as empresas? 92% planejam expandir investimentos em IA nos próximos 3 anos. Parece que tá todo mundo super preparado, né?

Aí vem o plot twist: só 1% se considera realmente madura no uso de IA.

Um. Por. Cento.

Tipo, 92% quer investir mais, mas quase ninguém sabe direito o que tá fazendo. Isso tem até nome bonito — a McKinsey chama de “paradoxo da adoção”. Todo mundo adotou, quase ninguém tá tendo retorno financeiro real.

A verdade que ninguém quer ouvir

Confesso que eu também caí no hype. Testei tudo. GPT-4 no lançamento. Claude. Gemini. Copilot. Fiz gambiarra com API, tentei automatizar coisa que não precisava, criei projeto pessoal que nunca terminei…

E sabe o que eu descobri? A maioria dessas ferramentas maravilhosas que prometiam resolver tudo viraram mais uma aba aberta no navegador que eu nunca mais olhei.

O Aaron Ross (aquele do Predictable Revenue) resumiu bem: “IA amplifica o que você já é”. Se sua empresa já era organizada, com dados bons, processos claros — IA vai turbinar isso. Se era uma zona, com dados bagunçados e processos de gambiarra… aí, mano, a IA só vai amplificar o caos.

Forte fica mais forte. Fraco fica mais fraco.

As 3 ondas da IA (e onde o Brasil tá)

A CI&T fez uma análise interessante. Segundo eles, existem 3 ondas:

  1. Hiper-eficiência — automatizar o que já existe
  2. Hiperpersonalização — experiências customizadas
  3. Disrupção — modelos de negócio completamente novos

Adivinha onde o Brasil tá? Na onda 1. Ainda.

E olha, não tem problema nenhum nisso. O pepino é fingir que tá na onda 3 quando nem resolveu o básico. Tem empresa querendo “revolucionar com IA” que ainda manda planilha de Excel por email.

O novo mantra: resultados, não promessas

“O hype acabou: a era da IA orientada a resultados começa em 2026.”

Li isso em uma análise de mercado e nunca vi frase mais certeira. A gente saiu da fase de “olha que legal, o ChatGPT escreve poesia!” pra fase de “beleza, mas quanto de dinheiro isso economiza?”

E sabe quem tá ganhando agora? As empresas “chatas”. Aquelas que não ficaram correndo atrás de toda novidade. Que focaram em:

  • Limpar os dados (porque dados ruins = IA ruim)
  • Treinar as pessoas (não adianta ter ferramenta se ninguém sabe usar)
  • Resolver problemas reais (não inventar problemas pra usar IA)

O limiting factor nunca foi compute ou modelo mais novo. É a qualidade dos dados. Sempre foi.

O medo que a gente não fala

Tem outro elefante na sala que a gente evita discutir: o medo.

Não é só “medo de IA substituir meu emprego” (que é válido, diga-se de passagem). É medo de parecer burro. De não entender. De ficar pra trás. De fazer pergunta boba.

Eu converso com devs que têm vergonha de admitir que ainda não usam IA no dia a dia. Cara, relaxa. Tá tudo bem. A maioria tá igual.

O jeitinho brasileiro de resolver problema sempre foi na gambiarra criativa, no improviso inteligente. IA é só mais uma ferramenta. Não precisa ter crise existencial.

O que vai acontecer com as startups de IA?

Vou ser sincero: muita startup de IA que surgiu no hype vai sumir. Ou ser absorvida.

Aquelas que tinham modelo sustentável desde o início vão sobreviver. As que eram basicamente “wrapper de GPT” com interface bonitinha… tchau.

E isso também é bom. Limpa o mercado. Sobra quem realmente resolve problema.

Tá, e agora?

Se você tá se perguntando o que fazer com tudo isso, aqui vai minha sugestão:

1. Para de correr atrás de novidade

Sério. Não precisa testar toda ferramenta que lança. Escolhe uma, aprende direito, usa de verdade.

2. Foca no básico

Seus dados estão organizados? Seu processo tá claro? Você sabe qual problema quer resolver? Se não, começa por aí.

3. Ignora o FOMO

Aquele colega que posta todo dia sobre a ferramenta nova de IA? Provavelmente tá tão perdido quanto você. Só finge melhor.

4. Aprende a usar prompt direito

Isso sim faz diferença real. Um prompt bem feito com GPT-3.5 entrega mais que um prompt ruim com GPT-4.

O lado bom de o hype acabar

Olha, eu sei que pode parecer pessimista, mas na real é o contrário.

Quando o hype acaba, sobra espaço pra coisa séria. Pra quem realmente quer construir algo útil. Pra conversas honestas sobre o que funciona e o que não funciona.

A IA não vai embora. Ela vai ficar mais… normal. Como qualquer outra tecnologia que a gente usa sem nem pensar.

E isso, galera, é muito melhor do que viver em ciclo eterno de hype e decepção.


E você? Tá usando IA de verdade no dia a dia ou ainda tá na fase de “vou começar semana que vem”? Comenta aí, tô curioso pra saber como tá a realidade de vocês.

Valeu!