Tava de saco cheio, confesso.
Todo mundo no LinkedIn jurando que IA ia “10x a produtividade”. Influencer postando que substituiu equipe inteira com ChatGPT. Mas quando eu tentava usar, os resultados ficavam… estranhos. Genéricos demais. Passava mais tempo brigando com a ferramenta do que produzindo.
Aí pensei: bora testar de verdade. Durante 30 dias, vou usar IA pra tudo que der. Email, documento, pesquisa, o que for. E vou anotar tudo pra ver se esse negócio presta mesmo.
Aqui tá o que rolou de verdade.
Como Organizei o Experimento
Antes de sair usando, defini algumas regras:
- IA primeiro. Antes de fazer qualquer tarefa na mão, pelo menos tentar com IA.
- Anotar tudo. Tempo gasto, qualidade do resultado, se usei o output ou joguei fora.
- Ser honesto. Se a IA piorou as coisas, anotar também.
- Usar trabalho real. Emails de cliente, projetos de verdade—nada de exemplo fictício.
Usei principalmente Claude e ChatGPT, alternando conforme o tipo de tarefa. Spoiler: cada um tem seu ponto forte.
Semana 1: A Lua de Mel
Tarefas tentadas com IA: 42 Tarefas onde ajudou: 34 Tarefas onde piorou: 4 Tempo economizado: ~3,5 horas
O Que Funcionou de Primeira
Email foi disparado a melhor descoberta. Eu jogava uma ideia meio bagunçada, tipo um rascunho mental, e a IA devolvia algo pronto pra enviar. Como mando uns 25-30 emails por dia, isso cortou meu tempo de redação em mais de 50%.
Preparação pra reunião me surpreendeu demais. Antes de call com cliente, eu colava contexto sobre a empresa e pedia pontos de conversa, perguntas que poderiam fazer, riscos pra ficar de olho. Muito mais útil do que eu esperava.
Resumir documento longo foi uma revelação. Tinha um contrato de 35 páginas pra analisar. Pedi pra IA resumir pontos principais e destacar coisas estranhas. Ela achou uma cláusula de IP escondida na página 29 que eu teria passado batido. Nossa, que achado.
O Que Não Rolou
Post pra rede social. O resultado ficava genérico demais. Aquela cara de “IA escreveu isso”. Gastava mais tempo editando do que se escrevesse do zero.
Brainstorm criativo. Pedi ideias de nome pra um projeto. As sugestões eram ou óbvias demais (“TaskFlow”, “WorkHub”) ou forçadas (“SynergiMax”). Não ajudou nada.
Qualquer coisa com minha voz. A IA não sabe como eu falo. Os primeiros rascunhos precisavam de muita edição.
Veredicto da Semana 1
Ganhos reais, mas concentrados em áreas específicas. IA mandou bem em tarefas estruturadas—emails, resumos, preparação. Travou em qualquer coisa criativa ou pessoal.
Semana 2: Descobrindo os Limites
Tarefas tentadas com IA: 48 Tarefas onde ajudou: 38 Tarefas onde piorou: 5 Tempo economizado: ~4,5 horas
Novas Descobertas
Debug de código foi game-changer. Não sou dev, mas cuido de um site pequeno. Quando quebrava algo, eu colava o erro no Claude e ele explicava o problema e já dava a solução. Me salvou de umas 3 horas de Stack Overflow.
Aprender conceito novo. Precisava entender unit economics pra um projeto. Em vez de ler cinco artigos, pedi pra IA explicar como se eu fosse esperto mas novo no assunto, com exemplos de SaaS. 15 minutos ao invés de 2 horas.
Editar meu próprio texto. Não pra escrever do zero—nisso ainda travou. Mas editar? Eu escrevia algo, pedia “deixa isso 30% mais curto sem perder o significado”. Os cortes sugeridos eram quase sempre bons.
Os Fracassos
Qualquer coisa com nuance emocional. Pedi ajuda pra escrever uma mensagem delicada pra um colega. Tecnicamente correta. Emocionalmente sem noção. Tive que reescrever tudo.
Verificar fatos. A IA me disse com toda confiança que uma empresa foi fundada em 2019. Era 2016. Agora verifico qualquer dado factual.
Análise de mercado que eu conheço bem. Pedi análise competitiva de um setor que trabalho há anos. O resultado foi superficial e deixou de fora players importantes. IA não tem o conhecimento de quem tá no campo.
Semana 3: Criando Sistemas
Tarefas tentadas com IA: 55 Tarefas onde ajudou: 47 Tarefas onde piorou: 2 Tempo economizado: ~6 horas
O Grande Salto
Percebi que tava perdendo tempo reescrevendo prompts parecidos. Aí criei sistemas:
Templates de email com variáveis. Fiz um prompt pra cada tipo—apresentação, follow-up, proposta. Agora só preencho os campos.
Doc padrão de preparação. Antes de qualquer reunião, mesmo prompt: contexto, pontos de conversa, riscos, perguntas. Salvei como atalho.
Gerador de estrutura de conteúdo. Pra qualquer texto que preciso escrever, um prompt que gera o esqueleto. Eu preencho a substância.
Isso mudou tudo. Em vez de criar prompt do zero, carrego os que já funcionam. Muito mais rápido.
Vitórias Inesperadas
Planejamento de refeição. Dei minhas preferências alimentares e pedi uma semana de jantares. Simples. Funcionou perfeitamente. Não sei por que não pensei nisso antes.
Organizar viagem. “Monta um roteiro de 4 dias pra Floripa focado em praias e gastronomia. Mistura lugar turístico com cantinho local.” Resultado melhor que a maioria dos blogs de viagem.
Framework de decisão. Travado em alguma escolha? A IA me guia por uma matriz de decisão sem eu ter que montar uma. Clareia o pensamento de verdade.
O Que Parei de Usar IA
Desisti de escrita criativa. O output criativo da IA é medíocre no máximo, e editar pra não parecer IA tomava mais tempo do que escrever eu mesmo.
Também comecei a ser mais cuidadoso com o que colo. Não paranoico—só consciente de que dados sensíveis merecem atenção.
Semana 4: O Novo Normal
Tarefas tentadas com IA: 53 Tarefas onde ajudou: 47 Tarefas onde piorou: 1 Tempo economizado: ~5,5 horas
Na semana 4, usar IA virou automático. Não pensava mais “devo usar IA nisso?"—já usava, pra certos tipos de tarefa.
Tarefas que agora sempre uso IA:
- Redigir e editar email
- Resumir conteúdo longo
- Preparar reunião e follow-up
- Explicar conceitos que não entendo
- Pesquisa inicial (seguida de verificação)
- Formatar e limpar dados
- Primeira edição do meu próprio texto
Tarefas que aprendi que IA não ajuda:
- Qualquer coisa que precise da minha voz específica
- Trabalho criativo que precisa parecer original
- Comunicação interpessoal sensível
- Análise profunda em áreas que conheço mais que a IA
- Qualquer coisa que precise de fatos verificados
Meus Números vs. a Realidade
Aqui o que anotei:
Total de tarefas tentadas com IA: 198 Tarefas onde IA ajudou: 166 (84%) Tarefas onde IA atrapalhou: 12 (6%) Tarefas onde foi neutro: 20 (10%)
Tempo economizado estimado: ~19,5 horas em 30 dias Isso dá mais ou menos 40 minutos por dia.
Não é o 10x de produtividade que o hype prometia. Mas é significativo.
O que me surpreendeu: meus números batem com as pesquisas. Um estudo do Fed de St. Louis de 2025 descobriu que trabalhadores que usam IA generativa economizam 5,4% das horas de trabalho—cerca de 2,2 horas por semana. Usuários frequentes economizaram mais de 9 horas semanais.
Pesquisa da Anthropic mostrou que o Claude acelera tarefas individuais em cerca de 80%—tarefas que levariam 90 minutos sem IA levam uns 18 minutos com ela.
Mas aqui o que me fez sentir menos louco: um estudo da METR com desenvolvedores experientes descobriu que eles na verdade demoravam 19% mais usando ferramentas de IA—mesmo achando que eram 20% mais rápidos. Os ganhos de produtividade dependem muito do tipo de tarefa e de quão bem você aprendeu a usar as ferramentas.
Meus 40 minutos diários são ~240 horas por ano. Isso é tempo real que posso gastar em trabalho que realmente precisa de um humano.
A Avaliação Honesta
IA é ótima pra:
- Output estruturado — Emails, resumos, esboços, templates
- Explicar coisas — Melhor que Googlar pra maioria dos conceitos
- Primeiros rascunhos de conteúdo rotineiro — Mata a ansiedade da página em branco
- Processar informação — Ler, extrair, reformatar
- Aprender — Faz perguntas de follow-up, ganha explicações na hora
IA é mediana pra:
- Qualquer coisa criativa — É derivativa por natureza
- Qualquer coisa pessoal — Não conhece sua voz, contexto, relacionamentos
- Análise em áreas que você domina — Você vai ver os buracos na hora
IA é ruim de verdade pra:
- Substituir pensamento — Pode ajudar decisões, não tomar elas
- Comunicação emocional — Tecnicamente correta, humanamente errada
- Qualquer coisa que precise de verificação — Sempre confere os fatos
O Que Ficou Depois de 30 Dias
Essas viraram partes permanentes do meu fluxo:
| Uso | Ferramenta | Frequência |
|---|---|---|
| Polir email | Professional Email Writer | Diário |
| Resumir documento | Executive Summary Generator | 3-4x/semana |
| Preparar reunião | Prompt customizado | Antes de toda call |
| Aprender conceito | AI Tutor | Semanal |
| Editar texto | Prompt “deixa 30% mais curto” | Sempre que escrevo |
| Framework de decisão | Decision Matrix Creator | Mensal |
Não é revolucionário. Mas é consistentemente útil.
O Que Eu Diria Pro Meu Eu do Dia 1
Começa com email. Vitória mais fácil. Você vê resultado na hora.
Monta prompts, não hábitos. Não tenta “aprender engenharia de prompt”. Só salva os prompts que funcionam e reutiliza.
IA é rascunhista, você é editor. Nunca envia ou publica output de IA sem ler.
Verifica fatos. IA é confiante mesmo quando tá errada.
É ferramenta, não substituto. IA cuida do trabalho chato. Não substitui julgamento.
A economia acumula. 5 minutos economizados num email é nada. 5 minutos economizados em 10 emails por dia por um ano é muito.
Tenta Seu Próprio Experimento
Não precisa de 30 dias. Tenta uma semana:
- Usa IA pra todo email que mandar
- Resume um documento longo
- Prepara uma reunião com IA
- Pede pra IA explicar algo que tava te confundindo
Anota o que funciona. Monta sua própria lista do que vale.
O objetivo não é usar IA pra tudo. É descobrir onde ela realmente ajuda no seu trabalho.
As Skills Que Mais Usei
Essas cinco cobriram a maioria dos meus casos:
- Professional Email Writer — Disparado #1
- Executive Summary Generator — Pra todo doc longo
- AI Tutor — Aprender conceito novo rápido
- Meeting Notes Action Extractor — Clareza pós-reunião
- System Prompt Architect — Montar assistentes customizados
Se você tá começando do zero, essas cinco resolvem 80% do que você precisa.
Quer tentar seu próprio experimento? Dá uma olhada em todas as skills ou começa pelo Guia do Preguiçoso pra IA pros essenciais.