NotebookLM virou Gemini Notebook: seus cadernos estão lá

O Google renomeou o NotebookLM para Gemini Notebook em 16/07. Seus cadernos e links continuam funcionando — veja o que mudou e o que segue grátis.

Se você abriu seus cadernos essa semana e deu de cara com um nome novo e um logo diferente, respira. Não sumiu nada. No dia 16 de julho de 2026, o Google renomeou o NotebookLM para Gemini Notebook — mesma ferramenta, mesmos documentos, só com uma pintura nova. Seus cadernos continuam exatamente onde você deixou. Os links que você compartilhou ainda abrem. E a versão gratuita segue gratuita.

Então por que parece tão confuso? Porque o Google também passou a ter uma coisa chamada “cadernos” dentro do app do Gemini, e ninguém consegue dizer direito se é o mesmo produto ou outro. A Forbes rodou a matéria dela com o título “Estou confuso”. Você não tá sozinho nessa.

Vou destrinchar em português claro: o que mudou, o que não mudou, o único truque de fato novo, e qual “caderno” você realmente quer.

Vale um contexto que faz esse rebranding pesar mais por aqui do que lá fora: o Gemini explodiu no Brasil. Segundo dados da Comscore divulgados pelo iMasters, as visitas ao Gemini no país cresceram 501% em 2025, saltando de 45 para 159 milhões de acessos mensais e levando a fatia dele de menos de 11% para quase 29% do setor. Ou seja: quando o Google decide vestir o NotebookLM com a camisa da família Gemini, isso mira exatamente onde muito brasileiro já está.

O novo nome e logo do Gemini Notebook, no anúncio do Google Fonte: Google

O que realmente mudou

Duas coisas, no fundo. Uma é cosmética. A outra é nova de verdade.

O nome e o logo. O NotebookLM agora é Gemini Notebook, com aquele selo de gradiente azul-roxo que você já viu no resto das coisas de IA do Google. É isso. É uma troca de nome, não uma mudança de endereço. O próprio Google descreve o app como “um produto autônomo, focado em ser a sua ferramenta de pesquisa” — então aquilo de que você gostava continua sendo aquilo, só que vestindo o uniforme do time agora. Como o Tecnoblog lembrou, mais de 30 milhões de pessoas e 600 mil organizações já usavam o serviço, então o Google tinha todo motivo pra manter o miolo intacto.

O único recurso de fato novo. Essa é a parte que vale a pena. Cada caderno agora ganha um espaço de trabalho próprio e protegido que consegue de verdade fazer as contas nos seus arquivos e te devolver o gráfico. Antes, você perguntava sobre seus documentos e ele respondia em texto. Agora ele consegue rodar os números daquela planilha que você subiu e te entregar uma tabela ou um gráfico — cálculo real, não uma descrição dos seus dados.

O Google chama isso de “computador na nuvem” seguro, e o Olhar Digital já vinha detalhando esse ambiente. Não deixe o termo te assustar: é só um cantinho seguro onde a ferramenta processa seus números sem encostar em mais nada. Dá pra transformar planilha em gráfico, cruzar informação de documentos diferentes, achar padrão numa base de dados, tudo dentro do caderno.

Vou ser direto sobre uma pegadinha: esse recurso está chegando primeiro pra quem paga. Ele foi liberado antes pros assinantes do Google AI Ultra e pra contas empresariais do Workspace, e os usuários do plano Pro recebem nas semanas seguintes. Quem é do gratuito mantém tudo o que tinha; só não ganha o “fazer as contas” no dia um. O Google também abriu novos jeitos de tirar seu trabalho de dentro do caderno (a documentação aponta pra slides do PowerPoint e arquivos de dados estruturados), então um resumo pode sair do caderno já como algo que você entrega pro cliente.

Ah, e mais uma: o Gemini Notebook agora conversa com o app do Gemini, e o Google diz que os cadernos chegam ao Modo IA da Busca “em breve”. O que nos leva à parte confusa.

A parte que confunde todo mundo: dois “cadernos”

Aqui está o nó inteiro. Tem o Gemini Notebook, a ferramenta de pesquisa que roda por conta própria (o app antes conhecido como NotebookLM). E tem os cadernos dentro do app do Gemini, que você acessa da mesma janela de chat que talvez você já use. A pessoa vê os dois e conclui que o Google lançou dois produtos brigando entre si. Não lançou. O Canaltech notou que o app do Gemini começou a liberar os Cadernos até pro pessoal do gratuito essa semana — e que é o mesmo recurso que já existia no NotebookLM. Deixa eu responder as perguntas que todo mundo tá de fato digitando na busca.

O que é um caderno do Gemini?

Um caderno do Gemini é um espaço que você monta em volta dos seus próprios documentos. Você sobe fontes — PDFs, Google Docs, anotações coladas, um link do YouTube — e aí dá pra fazer perguntas, pedir resumos, montar um guia de estudo ou gerar um “Audio Overview” (aquele clipe estilo podcast em que duas vozes de IA conversam sobre o seu material).

A grande diferença pra um chatbot comum: ele responde a partir daquilo que você deu, não da internet inteira. Então a chance de inventar coisa é bem menor, e ele aponta de volta pra fonte exata.

O Gemini Notebook é grátis?

É. O núcleo da ferramenta, que era gratuito antes da troca de nome, segue gratuito depois dela. Você cria cadernos, sobe fontes, faz perguntas e gera Audio Overviews sem pagar nada. (Se você quer ver na prática o quanto essa versão gratuita já dava conta do recado, eu testei ela de frente com ferramentas pagas de R$200/mês neste comparativo.)

O que não é grátis (pelo menos não ainda) é o recurso novinho de fazer as contas nos seus arquivos. Esse chega antes pra assinante do AI Ultra e conta empresarial do Workspace, e depois pros usuários Pro na web. Quem é do gratuito recebe mais tarde, se receber — o Google não cravou data.

Como eu acesso?

Nos mesmos lugares de antes, mais um. Você entra direto no site do Gemini Notebook (aquele seu favorito antigo do NotebookLM ainda cai no lugar certo). Ou abre o app do Gemini e encontra os cadernos por lá. O que você criar em um aparece no outro, porque eles sincronizam. Nada pra migrar, nada pra subir de novo.

Duas portas, um só conjunto de cadernos

Essa é a pergunta embaixo da pergunta. Não são dois produtos se digladiando — são duas portas pra mesma sala. A ferramenta autônoma é a oficina completa. A versão dentro do app é uma entrada lateral pra quando você já tá conversando com o Gemini e não quer sair dali. O racha é este:

Duas portas, um só conjunto de cadernos
🛠️ A oficina completa
Gemini Notebook (app à parte)
o antigo NotebookLM · suba todas as suas fontes · Audio Overviews, mapas mentais, guias de estudo · o novo recurso de fazer as contas nos seus arquivos mora aqui
🚪 A porta lateral
Cadernos dentro do app do Gemini
crie e abra cadernos sem sair do chat · mais leve, no fluxo · tudo sincroniza de volta pro app à parte
O que você cria em um aparece no outro — é esse o sentido do sync.

Se você guardar uma única frase deste post inteiro, que seja esta: é um só conjunto de cadernos, acessível por dois lugares. Escolha a porta mais perto de onde você já está trabalhando.

O que isso muda pra você

Chega de teoria. Aqui vai o que fazer na prática, dependendo de quem você é.

Você é consultor sentado numa pilha de documentos. Quarenta PDFs de um cliente só, metade deles contrato. Joga tudo num caderno do Gemini e pergunta pra pilha inteira de uma vez: “o que cada um destes diz sobre a data de renovação?”. Você recebe respostas ancoradas nos arquivos de verdade, com citações que dá pra conferir. Quando o recurso de fazer as contas chegar até você, dá pra puxar os números daquelas planilhas e receber um gráfico limpo também.

Você é o do RH que responde a mesma pergunta a semana toda. Carrega os manuais, as políticas e aquele PDF de benefícios que ninguém lê num caderno. Aí, quando alguém perguntar quantos dias de folga acumulam, você pergunta pro caderno em vez de garimpar no drive compartilhado. Mesma fonte da verdade, muito menos cavucação. (É basicamente uma máquina de resumir e responder a partir de PDF — se é isso que pega o seu dia, o curso IA para Resumir Textos e PDFs mostra o passo a passo.)

Você é estudante. Slides da aula, suas anotações bagunçadas, dois capítulos do livro — um caderno só. Pede um guia de estudo, ou gera um Audio Overview e escuta o seu próprio material no busão a caminho da facul. É fluxo de verdade, não firula.

Você só quer o seu NotebookLM de volta. Boa notícia: você tem. É a mesmíssima ferramenta com um nome novo na porta. Seus cadernos, seus Audio Overviews, seus links compartilhados — tudo ali. Você não precisa aprender nada novo nem clicar em nada diferente. A troca de nome não pede nada de você.

O que ainda não dá pra fazer

Não quero vender ilusão. Um rename mais um recurso não transforma o Gemini Notebook em mágica. É aqui que estão as bordas.

  • O recurso de fazer as contas está atrás do paywall por enquanto. Se você tá no gratuito, ainda não dá pra virar planilha em gráfico. Ele cai antes pro Ultra e pro Workspace, depois pros usuários Pro na web. Conta gratuita recebe mais tarde, se receber.
  • Ele continua tão bom quanto as suas fontes. Entra lixo, sai lixo. Se você não subir o documento, o caderno não sabe dele — e ele não vai preencher o buraco com um chute confiante tirado da web aberta. É um recurso, mas significa que o trabalho de alimentar os arquivos certos é seu.
  • Ele não é um buscador. O Gemini Notebook trabalha com as fontes que você dá, não com a internet toda. Se você precisa de “qual a última notícia sobre X”, isso é trabalho pro Gemini comum ou pro Google normal, não pro seu caderno. (Pra entender qual IA realmente presta quando o assunto é pesquisar na web, dá uma olhada neste comparativo entre Perplexity, ChatGPT e Gemini.)
  • O básico de privacidade não mudou com o nome. Logo novo não reescreve as suas configurações. Se você se importava com o que o Google faz com seus uploads antes, se importe exatamente na mesma medida agora — confira as configurações de dados da sua conta e do Workspace, porque o rename deixou tudo isso intocado.
  • O sync entre os apps é o objetivo, não um bug. Se você apaga um caderno no app do Gemini, ele some da ferramenta autônoma também. Um só conjunto de cadernos, lembra? Prático, até você esquecer que a faca corta dos dois lados.

No fim das contas

O NotebookLM virou Gemini Notebook. Seu trabalho está a salvo, a versão gratuita continua de pé, e a única novidade de verdade é a de conseguir fazer as contas nos seus arquivos e te mostrar o gráfico — que a maioria vai receber um pouco depois do pessoal que paga pelo Ultra. Essa é a história inteira. O resto é logo.

Repara que isso tudo faz mais sentido no Brasil do que parece. A TIC Domicílios do CETIC.br já aponta que cerca de 50 milhões de brasileiros usaram alguma ferramenta de IA generativa — e boa parte dessa turma está justamente no Gemini. A habilidade que importa aqui não é decorar o Gemini Notebook. É pegar o movimento: alimentar uma IA com os seus próprios documentos pra ela responder a partir da sua realidade, em vez de um chute genérico. Quando essa ficha cai, você usa isso em todo lugar.

Nosso curso de Fundamentos da Inteligência Artificial te guia por esse hábito exato — como montar um fluxo ancorado nos seus documentos em que dá pra confiar, seja a ferramenta chamada NotebookLM, Gemini Notebook ou o que quer que o Google renomeie no próximo trimestre. Se você quer ir fundo especificamente no ecossistema do Google, o Google Gemini: do Zero ao Avançado pega o resto. As duas primeiras aulas são grátis, sem cadastro.

Fontes

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